O balanço do carro era quase propício ao sono, mas a beleza e o ar frio da madrugada me mantinham acordada.
Rapidamente, como é próprio dos amanheceres, o céu ia mudando de cor. Vários tons de azul iam enchendo a minha janelinha. E eu ia deixando pra trás, junto com pensamentos já esquecidos, os pequenos vilarejos e cidades, as fogueiras diante das casas, a melancolia das primeiras horas do dia.
Com uma rapidez e suavidade quase imperceptíveis, eis que nasce, diante desses olhos que a terra há de comer, o sol. Esplendoroso. Amarelo. Laranja. Gigante.
Nunca havia visto nada igual.
Não é à toa que lhe chamam Astro-Rei.
E foi através do cristal da minha pequena janelinha que fiz essa foto – que não lhe faz justiça, diga-se de passagem.
Mas, tudo bem. A viagem seguiu. E, junto com ela, as boas surpresas.
No dia seguinte, o mesmo ritual. Madrugar. Café. E estrada.
E foi então que o danado resolveu nascer entre as dunas do Saara.
Apesar do vento frio e cortante que dificultava a respiração, eu sorria.
E as lágrimas não eram de tristeza.
Eram de alegria.