sábado, 24 de maio de 2008

A Festa da Menina Morta

... a festa da menina morta... é festa de quem já se foi... noite clara pra chorar e se chorar... lágrimas, contra o vento...

Amei. É lindo. Tem poesia. Beleza. Dor. Brasil. É a gente.

É duro e encantador. Mexe.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Eu falo brasileño


Então, amigos, é com uma enorme satisfação que venho avisá-los que a nossa língua subiu de patamar. Nós, a partir de hoje, não falamos mais português. Entendido? Combinado?

Temos que deixar de lado as heranças colonialistas e reconhecer o nosso linguajar como único e exclusivo do Brasil, esse país tão lindo, maravilhoso e corrupto.

Portugal, embora esteja na Europa, é um pedacinho de terra sem utilidade nem fertilidade e nós somos a próxima potencia mundial, depois da China e da Rússia. Ou seja, em uns 50 anos ou mais, estaremos dominando o mundo! Venderemos água mineral e de coco. Vai ser irado!!!

Acho que devemos aproveitar a nossa enorme população (somos uma nação de 180 milhões! Concordo que uns 60 milhões tão na merda, mas não deixamos de ser 180 milhões! É muita gente) e nos rebelar contra essa imposição cínica e europeizada, triste e bitolada!!! Vamos todos falar brasileño!

Bom, levando em consideração que a segunda língua mais pop é o espanhol, lhes proponho que não falemos português. Vamos falar brasileño. Assim, seremos fashion, cool e guay. Poderemos passear pela Gran Vía e por Fuencarral de cabeça em pé. Poderemos gritar aos quatro ventos e todos vão nos entender, afinal de contas, falamos brasileño!!! Esse idioma tão fresco e belo, tão sonoro quanto à palavra bunda.

Essa sim é só nossa e podemos nos orgulhar! A bunda! Essa instituição brasileira de tanto sucesso no exterior. Eu, por exemplo, brasileira nata, representante das bundas nativas da terra do Pau Brasil, me esforço ao máximo para levar ao mundo o conceito clássico da bunda brazuca. Foi por isso, e não por outro motivo, que aluguei um muquifo no quarto andar, sem elevador. Assim, todos os dias, me sinto como se estivesse subindo as escadas da Penha, exercitando os músculos das nádegas e fazendo jus às bundas conterrâneas.

Bom, mas voltando ao assunto da língua, falemos brasileño. Porque se continuarmos falamos português os espanhóis vão continuar sem nos entender... Assim como os argentinos falam argentino, os cubanos falam cubano, os colombianos falam colombiano e os americanos falam americano. Portugueses falam português e brasileños falam brasileño. Óbvio, não?

Então, não quero ninguém falando mais português, hein? Se eu pego alguém falando.... vai se ver comigo.

sábado, 10 de maio de 2008

Lista

Ligar para o banco
botar crédito no celular
comprar comida
lavar a louça
fazer o trabalho de documentação
capturar as fitas
depositar a grana do aluguel
comprar as passagens
fazer o almoço
estender a roupa
ligar para Azuquita
gravar de noite
fazer a cama
comprar hidratante
comer o iogurte antes que estrague
responder emails
ir ao Festival
molhar o bonsai
levar as coisas da Paz
limpar o chão
ir à oficina de emprego
ganhar dinheiro
separar as coisas da viagem
escrever algo pro blog
postar fotos
enviar as cartas
falar com o cara da oficina
gravar os dvds
avisar os professores
comprar fio dental
falar com o Ju
terminar de ler o livro
correr
testar o disco duro
ajeitar a luminária
devolver a blusa da Luz...

E além de tudo isso quero viver.

Será que eu consigo?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

É, Tita, a primavera chegou....


Na bruma leve das paixões que vêm de dentro, eu já escuto os sinais da natureza. Tudo floresce, os jardins, as crianças, os animais, o dia. Vamos todos pra rua!!!

É hora de abrir as narinas.

De observar.

De sentir.

De gostar.

De amar.

Bom humor. Música. Calor. Pele. Cheiro. Sabor. Perfume. Palavras bonitas. Sons. Alegria. Axé.

Bem-vinda, primavera.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Sobre o recheio das pessoas




Tem gente que nasce recheada de doçura, de leite condensado. Tem gente com recheio de mel, de limão, de vinho, de cachaça, de pêssego, de pimenta, de chuchu...

Tem gente que parece que tá crua, podre, estragada, mal passada. Tem doce, amarga, azeda, fria, quente. Tem de todo tipo.

Há uns que têm as entranhas fétidas e o sangue ralo. Tem sangue espesso, vermelho, azul. Tem uns que correm nas veias. Tem outros que sobem à cabeça. Tem gente que doa e tem quem recebe.

Alguns corações batem fortes e outros têm arritmia. Tem coração que logo pára de bater. Tem uns que batem por anos e anos e anos, sem nunca falhar. Tem coração grande, mole, de galinha, de ferro, de manteiga...

Tem recheio bom e recheio ruim.

Tem gente que apodrece por dentro. Logo se nota o fedor quando se aproximam.

Tem gente recheada de versos, de música, de cores, de amores, de alegrias, de amigos.

Tem uns que dá até vontade de comer e lamber os dedos, de tão gostoso que é o recheio. Hum...

Por outro lado, tem aqueles que dão asco, vontade de vomitar. Mal gosto.

E tem gente que parece que veio sem recheio, sem alma.

quarta-feira, 9 de abril de 2008


A vida é uma roleta em que apostamos tudo.

Todos temos nossas fichas. Podemos optar. Nós decidimos o que fazer com elas. Temos o livre arbítrio.

Podemos jogar tudo de uma vez, fazer pequenas apostas, guardar as fichas, deixar pra amanhã...

E nesse jogo da vida não tem uma opção melhor que outra. Falou, tá falado. Porque depois de feita uma escolha, não se pode voltar atrás. Aposta é aposta.

Não tem essa de que “eu era café com leite”, “assim não vale”, “não quero mais jogar”.

Assim penso eu.

jeans e formiga

segunda-feira, 31 de março de 2008

A história de uma casa

Casa ré.




Na falta de uma imagem que ilustrasse melhor...

O tempo de um cigarro

O cigarro dura o tempo de uma vida,
de um trago, de uma tarde, de uma música, de um sorriso, de uma soneca, de uma idéia, de um sonho, de um amor...

Assim, como a intimidade, é o cigarro.

Dura pouco. De vez em quando, muito. De vez em quando nada.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Banho de Mar

domingo, 23 de março de 2008

É, gente, os feriados acabam...

Adoro reparar no quão estúpidas são as dúvidas que surgem nos feriados.

Tipo, a gente toma skol ou antártica? Fica nessa praia ou vai pra outra? Pede uma porção pros dois ou uma pra cada? Entro no mar agora? E se eu tirar uma soneca?




O problema é que os feriados, como tudo nessa vida, acabam.



Mas virão outros, não se preocupem.

quarta-feira, 5 de março de 2008

As crianças


Seguindo a linha de raciocínio da postagem a respeito da terceira idade, venho agora falar um pouco das crianças. Essas sim são belas e especiais. Não todas. Assim como nem todos os velhinhos são uns filhos da mãe. Só a maioria.

Ando reparando como as crianças me fazem feliz, mesmo sem se darem conta. Eu ando por aí rindo delas. Sorrindo pra elas. Em primeiro lugar, me encanta a maneira como andam – as que já andam. Vão por aí, com suas roupinhas fofas, trocando as perninhas, super desequilibradas. Parecem que vivem na iminência do tombo. Andam como se estivessem bêbadas, trôpegas. E muitas vezes não caminham, saltitam. Parece que têm uma energia particular, perninhas de mola, pescoço mole, moleira afundada, sei lá. Mamadeiras de guaraná em pó.

E quando choram? São muito engraçadas. São ridiculamente engraçadas. Sofrem com as coisas bobas e desnecessárias. São desprovidas de bom senso, se permitem os mais absurdos caprichos. Deve ser muito bom poder abrir o berreiro no meio da rua simplesmente porque seu irmãozinho menor ganhou um colinho de mamãe. Deve ser bom mesmo, senão elas não fariam tão amiúde. Não lembro de como é a sensação de fazer manha porque sim. "Por que? Porque sim".

Outra coisa que acho o máximo é como olham para nós – gigantes. Olham assim de soslaio, de ladinho, de cima a baixo. Olham com um interesse todo particular, como se quisessem entender nossas ações, tão sem propósito. Tipo, porque meu pai está tão nervoso, gritando com um telefone no ouvido? Que louco! E porque minha mãe fuma essa coisa fedorenta e desagradável? Que louca! E mais, como minha mãe não quer ir pra piscina comigo? Lá é tão mais legal que aqui fora! E por que meu pai não quer brincar de boneca? Eu poderia emprestar a Lu Patinadora pra ele...

É que nós realmente fazemos umas coisas... somos muito tolos. Espertos são os pequenos, que vivem num mundo tão mais bacana e cheio de aventuras e mistérios.

Me lembro de uma vez escutar um filhote perguntar a seu pai: Pai, jacaré come azeite? A pergunta me pareceu totalmente pertinente. Afinal de contas, se azeite é tão gostoso e faz tão bem à saúde... os jacarés deveriam de comer.

Ah, e o jeito que falam também é muito divertido. Parece que não têm um controle muito efetivo da língua e dos lábios – novamente como os bêbados. Falam tudo meio atropelado, meio errado, do jeito que dá. E falam à beça, não têm pudores. Ainda bem! Porque assim posso continuar rindo-me delas pelas ruas.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Ai, Andalucía...


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A vida como ela é...


Sabe, às vezes eu me sento aqui, na frente do computador, e tento escrever algo interessante. Interessante pra quem? Sei lá, pra mim. Bem, isso não vem ao caso, o que passa é que começo e apago. E apago. E apag...

Bom, hoje resolvi que vou até o fim. Mas onde isso vai terminar? Yo que sé... joder, no me haga más preguntas.

Eu posso escrever sobre o bate papo maravilhoso e super esclarecedor – em todos os sentidos que essas palavras possam ter – com a Ju. Aliás, eu tenho que dizer, eu amo a Ju, ela é tão, tão... fofa. E ela tem uma coisa, assim, linda. É de uma sensibilidade rara. Isso sim.

A gente falou da vida, da vida fora, longe, só, feliz. A gente falou da pressa de que a vida aconteça, ainda que ela esteja acontecendo – intensa – nesse exato segundo. A gente falou da vontade de ter as coisas bem resolvidas, ainda que o bacana seja relaxar e aproveitar. Falamos também do prazer das pequenas coisas, sabe? Tipo Amelie Poulain, quando enfia a mão num saco de cereais.

Ah, a gente comentou o tanto que é bom ver utilidade nas coisas inúteis e como isso nos faz bem. Por exemplo, um vaso de plantas furado mas com umas florezinhas lindas desenhadas!

Falamos de como o tempo passa rápido e de que como a gente quer que passe mais ainda pra poder ver nossos sonhos realizados. E nos demos conta também que já realizamos e estamos realizando um outro montão de coisas.

Comentamos o quanto é bom – e difícil – estar num outro país, se relacionar com gente de línguas, costumes e culturas diferentes da nossa. E de como aprendemos com essa galera!

Nos demos conta que estamos numa sintonia tremenda, ainda que em continentes diferentes, separadas por um oceano gigantesco. E que, na verdade, essas distâncias são só geográficas.

Falamos pra caralho! Que bom! Tava sentindo falta de falar, falar, falar. De falar com alguém para quem você não precisa explicar nada, para alguém que já te conhece.

È que é foda, sabe? Ás vezes eu quero contar uma história, mas sem ter que dar o contexto histórico. E aqui, com os meus mais novos “amigos”, eu tenho que explicar um bocado de coisas... aí prefiro ficar calada.

Mas hoje resolvi falar. E resolvi escrever. Porque isso me faz bem.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O tempo passa...

Muitas saudades da presença dessa amiga linda!!!

A gente era tão fofa, tão menina... Adoro ver minhas amigas virando mulheres.

Tita, te amo!

Saudade

A saudade dói no peito. Aliás, a saudade, diferente de outros sentimentos, não se sente apenas, se tem. E eu tenho.

Eu tenho saudade de coisas banais. Tenho saudade de fechar as cortinas do meu quarto, de dirigir, de escutar os discursos do velho Cazarré (vulgo Old Caza), dos recadinhos do Tio Juarez (desses a família Cazarré toda sente falta), de invadir o quarto do Érico e ficar aí, sem fazer nada, só observando...

Tenho saudade dos reclames e dos quitutes da mama, tenho saudade do Ju, me dizendo: Força!, tenho saudades dos amigos e das amigas, dos verdadeiros. Tenho saudade da minha casa – do cheiro dela-, de fumar Carlton, de falar e escutar o português, de ir pra Água Mineral, de ver futebol na tv, de ir pro Beiras, de ir pro clube, de ver o Lago, de sentir calor, de me embriagar e tecer teorias loucas (muitas delas bastante coerentes)...

Tenho saudade de tudo aquilo que me compõe, desse montão de pedacinhos de mim mesma. E, aqui, agora, só, percebo que a saudade é como um vício. É um desejo de ter novamente tudo aquilo que tinhas ontem, ano passado, agora há pouco...

A saudade é o nosso lado mimado que se manifesta dizendo “eu quero”. Seja o que for. Pode ser um amor, um amigo, um objeto, um dia, uma fatia de pão com manteiga...

Na verdade, acho que a saudade não é nada mais que uma manifestação de amor. E o amor, como bem disse, certa vez, um filósofo fatal, pode se manifestar a qualquer momento, por qualquer coisa. Eu posso amar uma manhã, sob determinados raios de sol....

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Eu vivo numa água-furtada

Eu vivo numa água-furtada
Da janela vejo a lua
Daqui de dentro escuto os pássaros
Escuto tons, Vinicius
Acendo incensos, velas
Azuis, brancas
Vejo estrelinhas caindo...

Tem uma floresta embaixo
Jardim de inverno no inverno
Tem sol, frio, vento

A música toca e toca
O cinzeiro enche, esvazia
O colchão enche, esvazia
A geladeira enche, esvazia
As páginas vão passando
As noites caindo...

O Brasil é aqui
Há muitas cores coloridas
Tem laranjas, limões e pêssegos

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Meias listradas


Em homenagem ao Ju, meu irmão mais velho predileto, resolvi escrever, inspirada por palavras suas e de Epícuro, sobre a felicidade.

A minha felicidade, nos últimos tempos, tem se resumido a: orégano fresco, meias listradas, música brasileira, colchão inflável, incensos e velas, caminhar sem rumo, ler o jornal de manhãzinha tomando café e fumando, comer a comida da Luz, passar frio, ligar o aquecedor, esquentar as mãos no suvaco e descobrir novos cantinhos e detalhes da minha casa.

Quer mais?

Eu não preciso de mais.