segunda-feira, 18 de maio de 2009

O hippie inocente

Ele era um desses hippies filhinhos de papai, com conta corrente, cartão de crédito, carro... riponga de mentira, sabe? Ele fazia um tipão de que era muito desprendido das coisas materiais e tal, mas ai de quem metesse a mão no seu potinho de erva.

Estrangeiro inocente, chegou ao Marrocos sem dar-se conta de que estava na África. Queria conhecer as profundezas daquela terra e daquela gente, tão amigáveis aos seus olhos de europeu.

Ao observá-lo, eu experimentava uma mistura de raiva e de pena. Raiva por identificar prepotência em todos os seus atos. E pena por não conseguir entender como ele podia ser tão tolo. Afinal, aos 30 anos, ele não era mais um garotinho.

Incapaz de dar-se conta que era, aos olhos da gente da terra, um saco de dinheiro em potencial, preferia acreditar que estava agradando, fazendo amigos. E talvez pensasse que sua barba ruiva lhe fazia parecer um nativo. Quanta inocência!

Não foram precisos muitos dias para que sua particular tolice lhe propiciasse grandes emoções.

2 comentários:

antimatter disse...

«Y es que en el mundo traidor
nada es verdad ni es mentira;
todo es según el color
del cristal con que se mira».

Un hippie inocente me dijo cierto día que viene muy al caso: "La mirada descansa cuando se ve reflejada en el abismo".
Ése es el color de su lente.

¿Te gustó el libro antropóloga?

Ju disse...

Dá pra saber bem o tipo... hehehe!

Linda, escreve sobre a volta ao Brasa! Tô curiosa!

Beijos, linda!