quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

De novo.


Durante muito tempo eu escrevi. Escrevi sobre um montão de coisas. Coisas inúteis, coisas bacanas, coisas... mas daí as coisas mudaram.
Virei mãe.
Amei estar grávida e amei parir. A minha filha.
Me recolhi. Tentava escrever, mas não conseguia.
Estava ali. Todinha. Pra ela.
Novamente o tempo passou e, mesmo sem me dar conta, voltei a escrever. Só que agora escrevia notas, cabeças, VT`s, chamadas, off`s...
Gostoso também. Gosto de escrever por obrigação. Sei escrever sob pressão.
Mas, estranho, tanto tempo depois, logo hoje, 12 do 12 de dois mil e 12, me deu vontade de escrever... de novo.
Vontade de escrever a respeito das coisas banais; vontade de escrever sem saber quem vai ter saco de ler; vontade de escrever, simplesmente.
Olho para a minha filha e sinto na boca o gosto gostoso do amor. Como é bom amar! E sentir o cheirinho doce que ela tem!
Como é bom ser amada! E sentir que estou viva! De novo.



domingo, 10 de abril de 2011

Em casa




Me sinto orgulhosa de ter tido a coragem e a força de ter a Gigi em casa. Quem passou por isso sabe o tamanho da pressão para que você desista da ideia. Os medos, as inseguranças, as neuras de todo mundo recaem sobre a mãe que opta por um parto em casa. É claro que há riscos. No hospital também há riscos.

Me sinto orgulhosa porque acho que faço parte de um movimento importante de resgate da nossa força feminina, de resgate do respeito pelo nosso corpo e de crença na nossa origem animal. Confesso que parece meio clichê tudo isso, mas é isso mesmo. Vivemos numa sociedade onde as pessoas não querem sentir dor, onde ninguém presta atenção no que está acontecendo com seu próprio corpo. Sentimos dor de cabeça e, sem refletir sobre o porquê da dor, imediatamente tomamos um comprimidinho. Bebi pouca água hoje? Me alimentei direito? Dormi pouco? Comi queijo demais? Sei lá... Deveríamos estar mais atentos ao que nosso corpo nos diz. Um copo d`água poderia resolver a dor de cabeça em minutos. Ou comer uma maçã, tirar um cochilo...

Não nos permitimos mais sentir dor - dor esta que seguramente reflete algo que está acontecendo internamente. O mesmo acontece no parto. Não que a dor do parto se compare a uma dor de cabeça, não é isso que quero dizer. Mas acredito que a dor do parto pode ser transformadora. Parir um filho ativamente, com suas próprias forças, é uma sensação incrível e que deveria ser experimentada.

Sempre digo que NÃO acho que TODA mulher deva ter um parto em casa. Acho que toda mulher deve parir onde se sente mais segura. Em casa ou no hospital, tanto faz. O mais importante é que a mulher esteja confiante e feliz. Afinal, esse deveria ser um momento de alegrias e não de sofrimento.

Não sou uma apologista do parto em casa. Sei que há riscos e defendo que haja pré-requisitos para que uma mulher opte por parir em casa. A saúde da mãe e do bebê vêm em primeiro lugar. Sempre.

Sou uma apologista do parto natural, isso sim. Defendo a não-intervenção. Quer dizer, defendo também as intervenções necessárias, inclusive a cesárea, que salva milhares de vidas e merece respeito. Mas sou contra as intervenções desnecessárias, essas feitas para apressar um processo que deveria transcorrer naturalmente, essas que não respeitam o relógio biológico, essas que contrariam os astros.

E, infelizmente no Brasil, vivemos uma realidade de incontáveis intervenções, a maioria desnecessárias. Vivemos uma realidade de violência contra a mulher nos hospitais. Estamos nas mãos de médicos (mal) treinados para abrir, tirar e fechar, como se estivessem resolvendo um problema. Como se o parto fosse algo que médicos fazem. Não são eles que fazem os partos. Somos nós que devemos parir nossos filhos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Piscina de bolinhas


Sábado passado, logo que acordei, pensei: vou levar a Gigi numa piscina de bolinhas. Não sei exatamente de onde tirei essa ideia. Achei que poderia ser legal, só isso.

Fiz mil coisas o dia todo, sempre pensando na piscina de bolinhas. No finzinho da tarde, arrumei a Gigi toda princesa e lá fomos nós. Os três pra piscina de bolinhas!!! Chegando lá, descobri que o ingresso dava direito a meia hora de piscina. Perguntei, já sabendo a resposta, só por perguntar, se não vendiam meio ingresso, quinze minutos. Achei aquilo um exagero. Meia hora! Quem é que fica meia hora numa piscina de bolinhas?

E não é que meia hora passa rápido? A Gigi ficou a meia hora inteirinha lá, brincando, empolgadíssima, vendo as outras crianças passarem por ela feito foguetes, a mil. E ela lá, afundando lentamente na piscinha de bolinhas, achando graça, gargalhando, dando gritinhos...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Contabilidade

Vamos aos números, porque eles não mentem jamais!

Há 19 meses descobri que estava grávida. Foram 3 meses de enjoos. 18 quilos a mais. 4 ultrassons. 2 chá de bebê. Umas 2.000 fraldas descartáveis. 40 semanas de gestação.

Ainda bem que era 1 bebê só.

Há 10 meses a Gigi nasceu. 22 horas de trabalho de parto. 10cm de dilatação. Incontáveis contrações. Ela pesava 3,350 kg, media 49 cm.

Agora já tem oito dentes, onze quilos, 4 chupetas, 6 avós, 1 primo, 1 prima, muitos brinquedos e incontáveis fãs.

Perdi 21 quilos, deixei de fumar umas 500 carteiras de cigarro (gente, como me orgulho disso!), troco umas 5 fraldas por dia e dou incontáveis risadas.

Saldo positivo!!!

Frescuras


Depois que a Gigi nasceu, ficou difícil escrever aqui... Não que eu não tenha mais assunto. Pelo contrário! Se tenho! Mas é que das duas, uma. Ou fico aqui babando e escrevendo sobre como ela é linda e como a vida ficou mais gostosa... Ou fico aqui contando as nossas experiências diárias de amor e fofura.
E mais, ao mesmo tempo que tenho vontade de gritar para o mundo o quanto a maternidade me faz bem, penso: isso é uma experiência pessoal e intransferível que só interessa a mim mesma e pode causar inveja.
Daí se acende o alerta vermelho na minha cabeça e desisto logo de escrever.

Fresca? Eu? Imagina!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Amor.


Enfim, aos quase 60, antes tarde do que nunca, ele experimentara o amor. Ou melhor, o Amor. Não que não houvesse amado até então. Certamente amara. Mas era um tipo de amor por obrigação. Amor de filho, amor de pai, amor de marido. Amores obrigatórios. Ai dele, se não sentisse! No entanto, a vida passara e ele nunca se arriscara num simples: eu te amo. Todas essas pessoas, pais, filhos, mulher, deveriam contentar-se com gestos carinhosos. Palavras de amor, nunca! Para ele, era como meter-se em um território desconhecido, uma rua sem saída. Era como se, uma vez ditas tais palavras, para sempre houvesse uma dívida a pagar. Ele se sentiria um cafajeste, um mentiroso, um crápula... afinal, o que era o amor? Que espécie de sentimento era esse, tão falado e tão pouco palpável? Dizia de brincadeira, mas não sem um pouco de verdade, que detestava a humanidade, o ser humano. Eis que de repente, sem que pudesse dar-se conta, estava amando. E de verdade. Amor daquele mais puro, mais profundo. Aquela garotinha, tão pequenina e tão gorducha, nunca poderia imaginar o impacto que causara. Seu sorriso de dois dentinhos, sua carinha feliz. Ali estava o Amor. Nela residia o encantamento.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Mães da Pátria

Gente, entrem nesse link: http://wp.me/pMm1F-kf

Mães da Pátria! Bem legal!

As fotos são da Bia Fioretti e o blog dela é Universo da Bia. Visitem!

Beijos

Cinco meses!

Hoje a Gigi tá fazendo cinco meses de vida! Cinco meses de pura gostosura e felicidade. E pensar que já vivemos tantas descobertas nesse tempinho! A descoberta da mamãe que existe em mim, a experiência do parto (que até hoje ecoa internamente), a tranquilidade da Gigi para mamar, dormir... Os meus quilos a menos, os da Gigi a mais (ela já pesa oito quilos! Só mamando!). A satisfação de acordar todos os dias com um super sorriso banguela, a carinha mais pura do mundo, o narizinho franzido e suas conversinhas divertidas. Presenciar suas primeiras brincadeiras, ver ela aprendendo a segurar as coisas, reconhecer um rosto familiar, firmar o pescocinho, se virar sozinha, sentar... tudo isso me completa de uma maneira que não consigo descrever. É uma vivência cotidiana e intensa do meu lado animal, fêmea.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Gudulinha


Ainda não inventaram nada mais gostoso no mundo! Aliás, acho que eu deveria patentear essa obra de arte que produzi. Vai que nego resolve imitar?

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A culpa é da mãe!


Já ouvi várias pessoas afirmarem que os bebês, até os três meses de vida, não conseguem perceber sua individualidade, são como uma extensão do corpo da mãe, não sabem onde termina um e começa o outro, etc. Pode até ser, mas, a cada dia que passa, estou mais convencida de que, na verdade, é o contrário. São as mães que, depois de nove meses com seus bebês na barriga, fabricando-os, dão `a luz a um ser humano que é fruto da sua carne, e não conseguem separar muito bem as coisas. É claro que nós, mães, sabemos que não se trata de um único ser, mas é como se fosse. Por exemplo, se a Gigi chora (por qualquer motivo), eu fico triste. Se ela está feliz, assim também estou eu. Se seus gritinhos incomodam alguém, sinto-me como se eu estivesse sendo inconveniente. Se tem dor de barriga, parece que a culpa é minha (devo ter comido algo que lhe fez mal!). Se não tem sono, a culpa é minha de novo (será que não devia ter levado ela pra casa da minha mãe? Tinha muita gente lá...).
É esse senso de responsabilidade (pra não dizer culpa) que nos confunde, que não nos deixa perceber que somos dois, apesar de estarmos vivendo essa simbiose por enquanto...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O parto


Entrei em trabalho de parto `a uma e vinte da manhã do dia 22 de abril de 2010. Ainda não sabia, mas esse viria a ser o dia mais importante da minha vida. Ainda meio insegura, sem querer acreditar que estava em trabalho de parto, voltei pra cama e resolvi relaxar. Eu sabia que nos dias que antecedem o parto, muitas mulheres passam por alarmes falsos, achando que estão prestes a dar a luz quando na verdade não estão. Então, durante as três horas seguintes, fiquei contando o espaço de tempo entre um contração e outra, cochilando nos intervalos. Uma contração a cada dez ou onze minutos. Eu sabia que se fosse mesmo o trabalho de parto, ele estava apenas começando. Tentei dormir mas não consegui. Preferi não acordar o Dudu, queria que ele descansasse pois sabia que o dia ia ser longo.
Senti que estava perdendo líquido. Fui ao banheiro, fiz xixi e pronto: lá no fundo da privada estava ele, o tão esperado tampão. Ainda assim, fiquei em dúvida. O aspecto do meu tampão, ou do que suponho que fosse, não era como me haviam descrito.
Voltei pra cama e comecei a pensar: dia 22 de abril. Nada mal. Belo dia pra Gigi nascer. Eu sempre gostei mesmo dos números pares. 22.04.2010. Além do mais, eu tinha certeza que ela seria taurina. Pronto, Gigi, já entramos no signo de touro. Pode nascer!
`As três da manhã, me convenci: estava realmente em trabalho de parto. Estava tão agitada na cama, levantando de dez em dez minutos, que Dudu acabou acordando e perdendo o sono. Contei pra ele que acreditava que estava em trabalho de parto. Ele se levantou e foi checar uns emails. Só voltou pra cama por volta das seis da manhã. Eu permaneci deitada, sentindo as cólicas e tentando dormir, até as dez da manhã, quando me levantei e liguei pra parteira. Conversei com ela, disse que estava tudo bem, que ainda deveria estar bem no início do trabalho de parto, que me sentia tranqüila. Combinamos que ela viria me ver no início da tarde, `as duas.
Desci com o Dudu por volta da uma da tarde. Fomos dar uma caminhada e aproveitar pra comprar a mangueira que faltava para esvaziar a piscina de parto. A essa hora minhas contrações vinham de cinco em minutos – Dudu ia fazendo a contagem. Ainda fomos no restaurante da comercial porque, embora eu não estivesse com fome, Dudu precisava comer pois tinha ensaio de tarde. Aliás, ele tinha um compromisso bastante importante: um show em comemoração ao aniversário de Brasília no início da noite, `as sete e meia. Bom, almoçamos e voltamos pra casa. Eu havia ligado pra minha mãe e pedido pra ela vir por volta das duas, hora que Dudu sairia pro ensaio. Pedi que trouxesse frutas, inclusive maracujá – porque ajuda a baixar a pressão – e água de coco. Eu estava absolutamente tranqüila, feliz. Não posso dizer o mesmo da minha mãe. Ela estava nervosa, mas até que disfarçou bem. Ficamos as duas sozinhas em casa, batendo papo e enchendo a piscina. Na verdade, ela encheu sozinha, com uma bomba manual que eu havia comprado dias antes. Um pouco mais tarde chegou Paloma, a parteira. Ela mediu a minha pressão, conversamos um pouco e ela fez um exame de toque. Eu estava com três a quatro centímetros de dilatação. Fiquei feliz de saber. Eu tinha consciência de que ainda faltava muito para o parto. Mas aquilo era um indício de que as coisas realmente estavam evoluindo como esperávamos. Paloma saiu para levar o filho pra aula de futebol e ficamos, eu e minha mãe, novamente sozinhas. Nessa hora, liguei para a doula, Manuela, e avisei sobre o andamento do trabalho de parto. Disse que estava bem e pedi que viesse somente no fim da tarde. Ela me disse que estava no colégio (Moara) onde dá aulas e que viria então no fim do expediente. Ok. Paloma havia indicado que eu tomasse um suco de maracujá com alho – para abaixar a pressão. Minha mãe preparou e eu, obedientemente, tomei, embora minha pressão não estivesse alta. Botei o disco da Buika (mi niña Lola) pra tocar e fiquei tranqüila, tomando o suco, relaxando e deixando as contrações virem. Por volta de quatro e meia da tarde, Dudu chegou do ensaio e, segundo ele, o astral do apartamento já era outro. Parecia estar mais quente, mais amarelo, mais silencioso. Dudu começou então com o processo de encher a piscina. Com uma mangueirinha, puxamos água do chuveiro. Pra ajudar, Paloma enchia panelas de água e esquentava no fogão. Acho que ficamos quase duas horas nesse processo de enchimento da piscina. Enquanto isso, eu tentava caminhar pelo apartamento e fazer exercícios na bola suíça para acelerar o trabalho de parto. As contrações agora vinham bastante fortes, já não eram mais simples cólicas. Entre uma contração e outra eu ainda conseguia falar, conversar. A partir daí, a coisa se tornaria mais difícil. Por volta de sete horas da noite, a Manu chegou. Me lembro de estar no meio de uma contração. Ela, muito delicada como sempre, aguardou o fim da contração pra falar comigo. Me contou que havia trazido o “pão da Gigi”, pois durante a tarde, com seus alunos do maternal, havia preparado um pão para a Gigi. Me contou que explicou para as crianças que havia um bebezinho que estava chegando, que ia nascer. Fiquei emocionada com o gesto. Só de pensar em um pão preparado por um monte de mãozinhas pequeninas, para um bebezinho que estava por chegar... me arrepio.
Bom, pouco depois disso, entrei na piscina. Ela estava bastante quente e foi preciso que acrescentássemos água fria. O alívio foi instantâneo. Nesse ponto as contrações eram doloridas a ponto de eu não falar mais entre uma e outra. O espaço de tempo entre elas também havia diminuído para dois ou três minutos, o que me exigia concentração. Eu precisava me concentrar no meu próprio corpo se abrindo, precisava respirar, relaxar, deixar doer... Eu sabia que, se ficasse tensa, doeria cada vez mais. Eu só respirava, gemia e pedia ajuda aos céus. Paloma me pedia para ir ao banheiro de tempos em tempos. Alem de fazer xixi, o fato de sentar na privada faz com que relaxemos os músculos da pelve. E isso ajudava a que novas contrações acontecessem, cada vez mais fortes. Já devia passar de dez da noite quando Paloma sugeriu que eu entrasse no chuveiro com Dudu. A idéia era de que eu ficasse de pé, movimentasse os quadris, para ajudar na descida do bebê. O que aconteceu não foi bem isso. Entrei no chuveiro e me sentei no chão. Já não agüentava meu próprio corpo, a dor era tanta que nem conseguia abrir os olhos.
Fui para a Partolândia, essa outra dimensão, que só quem pariu sem anestesia sabe como é. Dudu tentava me ajudar, mas eu já não conseguia colaborar muito. Acho que esse foi um dos momentos mais difíceis. De repente, me deu uma vontade louca de fazer cocô. Ainda tive forças para pedir a ele que ficasse dentro do box – parturiente com pudor!!! Saí, fiz cocô e voltei pro chuveiro. Sentia muita dor. Resolvi que precisava a qualquer custo me deitar. Apesar de a Paloma e a Manu acharem que eu devesse ficar de pé, andar, me movimentar, eu me deitei na cama e desmaiei. Dormi por uns cinco minutos. Na verdade, essa parte eu não me lembro, me contaram depois. Eu simplesmente apaguei e não vi mais nada. Paloma disse que é normal que isso aconteça. É o corpo recuperando energias para poder continuar. E eu realmente precisava de energias.
Me lembro de, nesse momento, Paloma sugerir um “toque” para ver como andava o trabalho de parto. Hesitei um pouco mas aceitei. Me lembro de titubear nessa hora. Tinha medo de que ainda faltasse muito para a dilatação completa. Por uns segundos me arrependi, mas respirei fundo e aguardei. Paloma disse que eu já havia dilatado nove dos dez centímetros necessários, mas que ainda havia uma “borda” de colo de útero para dilatar. Nessa hora, devido ao meu cansaço físico e `as horas que levava, ela sugeriu algo novo pra mim. Era o seguinte: com luvas e lubrificante, Paloma inseria dois dedos na minha vagina e, durante as contrações, enquanto eu fazia força de expulsão, ela empurrava meu colo para trás. Nessa hora eu estava deitada na cama com as pernas abertas flexionadas na direção das minhas orelhas. Dudu segurava uma perna e Manuela outra. Lembro da minha mãe, no pé da cama, olhando pra tudo aquilo, perplexa. Dudu foi quem me ajudou a respirar e fazer força. Eu sentia tanta dor que mal conseguia distinguir quando estava tendo contrações e quando não. Ele falava no meu ouvido que eu tinha que me concentrar pra não desperdiçar energias quando viesse a contração; que eu tinha que respirar fundo, encher os pulmões e só então fazer a força. Quando me lembro desse momento, me emociono pois sei que foi um momento crucial. Paloma já havia dito que, se não evoluíssemos, teríamos que pensar na possibilidade de ir pro hospital. Eu, na verdade, não cheguei a me preocupar. Não sei se pela confiança no processo que estava vivendo ou se era a dor que me impedia de pensar em qualquer coisa. Se não fosse o Dudu pra me acalmar e me ajudar a concentrar as forças, não sei o que poderia ter acontecido.
Esse processo de dilatar o último centímetro foi muito doloroso. Não sei direito, mas acredito que ficamos pelo menos meia hora nessa função. Foi nesse momento que Paloma começou a ver a cabeça da Giovana. Ela mostrou pro Dudu também. Ver a cara dele, com um sorriso enorme, me dizendo que ela estava chegando, foi demais. Aí eu virei um bicho. Era tudo o que eu queria ouvir. Eu estava esperando por aquele momento. Me concentrei e, sempre com a ajuda dele, fiz força.
Pouco depois, Paloma sugeriu a posição de cócoras. Dudu ficou sentado na beirada da cama. Eu me sentei no seu colo, virada para fora da cama. A cada contração eu me agachava ate o chão, apoiada nele. Nessa altura do campeonato eu estava exausta, mas tirava forças de onde não tinha. Esse foi o sprint final. Acho que foram necessárias mais umas dez contrações para que Giovana viesse ao nosso mundo. A partir do momento em que a cabeça da Gigi começou a coroar, Paloma queria que eu pusesse a mão e a sentisse, para que me desse conta de que faltava pouco. Não sei o porquê, mas eu me recusava. Eu podia ver aquela cabecinha peluda refletida no espelho. Loucura!
Me lembro da Paloma dizendo que eu sentiria uma ardência na vulva durante a saída da Gigi. Dito e feito. A minha sorte é que, entre as contrações, me colocavam uma compressa quente. Santa compressa! O que acontece nesse momento de saída do bebê é que a mãe, além de querer que a criança saia logo, teme que ela retroceda. O bebê fica numa espécie de vai e vem, até sair definitivamente. Só sei que em um determinado momento, a Paloma pegou a minha mão e botou na cabeça da Gigi, que já estava bastante pra fora. Minha única reação foi soltar um abafado “incrível”! Era mesmo incrível que aquela cabecinha quente e peluda fosse a minha filhota prestes a chegar. Depois disso, mais uma ou duas contrações e tcharan! Gigi havia chegado.
No entanto, para nossa surpresa, ela chegou meio roxinha. Eu não estava entendendo nada até que a Paloma, que havia me posto a Gigi nos braços, me tomou ela e, massageando seu peitinho, aspirou suas narinas e boca. Pra mim tudo aquilo foi tão rápido que nem tive tempo de me assustar ou pensar que algo ruim pudesse acontecer. Não sei. Talvez por ela estar presa em mim pelo cordão umbilical, talvez pelo meu instinto materno que me dizia que tudo acabaria bem... não sei. Dias depois, conversando com minha mãe, percebi que aquele tinha sido um momento de forte tensão pra ela. Pra mim não foi. Só sei que a Gigi chorou, voltou pro meu colo e pudemos nos curtir, abraçadinhas, sentadas no chão do quarto, ao lado dos bandolins do Dudu, ao lado da cama onde ela havia sido gerada...

E, como disse sabiamente Manu, esse sustinho que a Gigi nos deu foi para que não nos esqueçamos que a vida precisa ser celebrada sempre e que cada ser que nasce é único e especial.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Barriga



Nunca imaginei que me apegaria tanto a uma barriga...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Descoberta


A minha história começa bem parecida a de tantas outras garotas: uma gravidez imprevista. Quando descobri que estava grávida quase tive um troço. Parecia que o meu mundo ia desabar. Eu sei que hoje soa meio exagerado, mas foi como me senti naquele momento, sozinha num hospital, diante de uma médica que me dava a “pior” notícia do mundo. Eu tinha ido fazer uma ecografia para ver se meus ovários estavam bem – sempre sofri muito de cólicas e nunca me convenci de que aquilo era normal. Pois bem, no meio do exame a médica virou o monitor pra mim e disse: Ta vendo isso aqui? É um saco gestacional.
Saco gestacional??? Como assim doutora? Você tem certeza de que não é mioma? Um cisto?

Sim, por mais incrível que pareça, eu perguntei isso a ela que, com um sinal negativo de cabeça, me informava de que eu não estava doente. Saí do hospital chorando como uma criança, soluçando. Eu me dirigi à farmácia mais próxima e, com as lágrimas rolando soltas, pedi um exame de gravidez desses de urina. O farmacêutico deve ter pensado que eu estava no meu quinto filho, tamanha era a choradeira. Fiz o exame de urina - você tem que fazer xixi num papelzinho e esperar cinco minutos até que apareça uma segunda linha vermelhinha no papel. No meu caso, a linha apareceu instantaneamente. Assustada, fiquei esperando pra ver se a linhazinha desaparecia do papel. Doce ilusão. Eu devia estar muito grávida mesmo! Mesmo assim não me convenci. Liguei pro médico e pedi pra ele deixar um pedido de exame de sangue com a recepcionista. Passei lá, peguei o pedido e fui pro laboratório. O resultado saiu à noite. Positivo. É, não tinha mais pra onde correr.
Eu havia descoberto que estava grávida antes mesmo da menstruação atrasar. Inacreditável! O que era para ser um simples exame de rotina havia se transformado numa caótica descoberta.
Bom, o fato é que, litros de lágrimas depois, me acalmei, respirei e aceitei. E o mais impressionante foi que, uma vez mudada a “chave”, comecei automaticamente a curtir o momento. Foi mais ou menos como “ah, ta bom. Vou ser mamãe? Então ta.... Viva! Vou ser mamãe!!!” .
Sem querer querendo, havia realizado meu sonho de ser mãe.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Eureka!


Outro dia, conversando com amigas, me dei conta: Como é bom estar grávida!!! Deve ter soado como uma brincadeira porque elas riram muito. Talvez tenha sido a entonação de “Eureka!” que utilizei. Talvez tenha sido a incredulidade daquelas que há um mês só ouviam ais, uis e arghs.

“É sério! Em primeiro lugar, não tenho mais ressaca! E isso é muito bom! Em segundo lugar, parei de fumar, o que implica em um hálito fresco e agradável. Nada de dedos fedorentos, cabelos enfumaçados, roupas empesteadas. Calculando com meu pai outro dia, cheguei à conclusão que já deixei de fumar aproximadamente dois mil cigarros. Dois mil!!! Inacreditável! Meus pulmões agradecem... e muito! E meu bolso também, porque economizei cerca de quinhentos reais de tabaco até agora. Mas, se somarmos esses quinhentos reais às quantias que eu gastava com cervejas, petiscos e afins, esse número se multiplica exponencialmente. Aff! Não gosto nem de pensar...

Agora me levanto cedo, me alimento melhor e dedico horas a fio ao meu bem-estar físico e emocional. Além das caminhadas periódicas, faço drenagem linfática, nado quando faz sol, durmo quando faz frio, vejo filmes e mais filmes embaixo das cobertas, quentinha, agarrada no gatão... Humm... bom demais! Ah, sem contar com o despertar cheio de mimos, música, café da manhã preparado, misto, suquinho, iogurte...

Vocês estão ficando com invejinha, né?! Eu sei... é bom mesmo. Aposto que vai ter um monte de garotas a fim de engravidar depois disso. E isso que eu estou só no começo!

Por exemplo, quem quer comer sem peso na consciência? Hein?!

Bom, sei que sempre existirá alguém pra me dizer que vai dar muito trabalho, que o parto dói, que dar de mamar dói também, que fralda descartável é muito caro, que.... eu sei, eu sei. Mas é aquela velha história do copo meio cheio, meio vazio...

Estou num momento totalmente “copo meio cheio”.

Depois de muito enjoar, só quero saber de curtir a minha barriga, de sentir o meu bebê crescer e se mexer dentro de mim, de sonhar, desfrutar... Tô tão feliz!”.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sonho.


Foi como ganhar um pedaço de tecido. Num primeiro momento, olhei sem saber o que fazer com ele, sem compreender pra que servia. E agora? – era a pergunta que me martelava a cabeça. Pouco depois, já familiarizada com a estampa, comecei a curtir, a ver beleza nele. Mais tarde, resolvi enfeitá-lo. Preguei botões, costurei rendinhas nas bordas, alinhavei, cortei as pontas que estavam sobrando, retoquei. Com um pouco de intuição e outro pouco de imaginação, fui entendendo do que se tratava. Um dia, feliz, me dei conta de que o que tinha nas mãos era a minha bonequinha. Boneca de pano que sorria pra mim. E como o Pinóquio, da madeira à carne, Giovana havia se transformado na minha princesinha. Minha filha. Reconheci-a. Ela, que sempre havia estado nos meus sonhos distantes, agora era real.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Nós.


Pouco a pouco vou começando a me sentir melhor. Os enjoos são cada vez menos freqüentes, assim como a choradeira, a irritação, o mau humor e a insegurança. Aquela sensação de que “estar grávida não tem a menor graça” passou. A barriguinha começa a aparecer timidamente e a perspectiva de ser mamãe vai me enchendo o peito. Noites completas de sono tranqüilo substituíram madrugadas agitadas de “senta-levanta-senta-deita-corre-pro-banheiro-deita-senta”. As coisinhas do bebê começaram a fazer volume e sua presença se faz notar cada vez mais. Seja nas imagens da ecografia, seja no olhar das pessoas que o aguardam com expectativa, seja no tricotar da futura vovó-coruja, seja no bandolim encantado do Dudu, que nos emociona tanto...

As pessoas comentam que estou ficando com cara de Mãerieta. E eu gosto disso.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Virada


Hoje, na natação, me emocionei ao ver uma garotinha conseguir fazer a virada olímpica. Cada vez que passava por ela, que aflição! Que medo de tomar uma pernada na boca do estômago! Várias tentativas depois... ela foi lá e vlupt. Deu a virada certinha! Meus olhos se encheram de água e o nó apertou a garganta. E pensar que tem alguém dando voltas olímpicas aqui dentro...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

08.03.06


Por que ando dormindo tão mal? Pesadelos.
Hoje tinha um mosquito imaginário
Que não parava de zumbir no meu
Ouvido. Será que é um encosto? Um
Pedido de ajuda? Ou será um sinal para
Parar de fumar?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Jogo de Tarô


Um homem caminha solitário em busca de seu destino. Os caminhos estão abertos. Não há obstáculos. Com a cabeça erguida, avança. É uma viagem sem fim. Não se sabe onde ele vai dar. Confiante, ele vai.

A chave de ouro. Recompensa pelo sacrifício. O êxito. Portas que se abrem. Decisões. Em suas mãos.

A carta. Comunicação, notícias, avisos, alertas. Necessidade de expressão, de diálogo. Coisas ditas, escritas, ouvidas. Segredos guardados.

A torre. Fortaleza solitária. Reserva, introspecção. Poder mental, equilíbrio, sabedoria. Solitude.

Os lírios, as flores. Harmonia, paz, tranqüilidade. Problemas superados. Descanso, trégua.