quarta-feira, 25 de março de 2009

O país do carnaval!

Ontem, pra aula de português, levei um texto que falava sobre alguns “tipos” brasileiros. O caboclo, o pantaneiro, o seringueiro, o gaúcho, o caiçara... Levei também um mapa e os alunos gostaram bastante. Aí, cheguei em casa e fui pesquisar sobre os estereótipos dos brasileiros, tipo carioca, mineiro, baiano, paulista... E me deparei com artigo de umas psicólogas do Rio. “Viajando com jovens universitários pelas diversas brasileirices: representações sociais e estereótipos”, pra quem quiser arriscar.

Dei uma lida e curti porque, na verdade, me dei conta do tanto que esses estereótipos estão entranhados dentro de nós. Me dei conta também de que, freqüentemente, recorro a eles ao falar do brasileiro. O baiano é preguiçoso, o cearense é cabeça-chata, o mineiro é come-quieto, o paulista é branquelo, o carioca é malandro e o gaúcho é macho! hehehe

Mas a verdade é que os estereótipos existem em todas os lugares e não é nada mais do que uma maneira de se identificar com uns e se diferenciar de outros. Gosto de observar os estereótipos madrileños, por exemplo. Os junkies da praça Dos de Mayo, os playboys do bairro de Salamanca, os rastas de Lavapiés, os gays de Chueca, os estilosos de Malasaña, os gitanos, as velhinhas de Goya, os fashions e seus bulldogues, os sudacas, as putas da Montera, os franceses e seus pic-nics no Retiro, os chinos por todos os lados...

Sei que não soa politicamente correto... mas é assim. Acho que os estereótipos, quando não usados de maneira preconceituosa ou discriminatória, são uma maneira de identificar as diferentes “gentes”.

Me lembro de estar caminhando com o Juliano em Amsterdam e ver dois caras, longe, longe, caminhando em nossa direção. Eu bati o olho e disse: são brasileiros com certeza. E digo mais, cariocas! O Ju rio e concordou. Não deu outra, quando passaram por nós comprovamos a tese. Eram os típicos surfistas do Rio, de bermuda, camiseta e havaiana, com um andar balançado, malandro... hahaha

Eu sei, eu sei... mas é verdade!

E tem a história do baiano que queria vender um refri pra Natália em vez do suco de laranja natural que ela havia pedido. “É que tem que ir lá na cozinha, espremer...” Só faltou ele dizer: é que me dá uma lezeira... hehehe Brincadeira!

Agora falando sério, já que eu sou de Brasília e lá só tem filho de político – e os políticos são todos corruptos – posso ser politicamente incorreta, né?

3 comentários:

Ju disse...

Linda, eu tenho testado váários dos meus estereótipos por aqui também... E ando em crise. Por que quase sempre se provam verdade. "Mas eu não sou preconceituosa!", é o que vem à minha cabeça. Acho que algumas generalizações podem ser feitas sim, a questão é se a gente é inteligente o suficiente pra saber que são generalizações, e talvez o preconceito de verdade seja discriminar alguém ou já tratar de maneira diferenciada antes que o estereótipo de confirme... será?

PS: esse era um ótimo texto pro nosso blog. Os estereótipos de cada lugar. E em qual nós nos encaixamos (eu sempre lembro da moda avassaladora los hermanos e como eu me encaixava perfeitamente na classe estudante universitário que ouvia los hermanos, gostava de conversar sobre assuntos "profundos" e bebia cerveja em boteco pé-sujo perto da faculdade...).

Ju disse...

PS2: ... e com orgulho de ser "alternativo".

Gi disse...

Me identifiquei muito com o seu texto, Etinha. Eu antes me achava meio peixe fora d´água aqui. Meio estranha pra me sentir normal. Não sei o porquê mas o meu senso de normalidade estava alteradíssimo e eu me achava a última brasileira do Brasil. Talvez por ser brasiliense e isso por si só já é um pouco estranho, até aqui entre os brasileiros.

Precisei sair do Brasil pra descobrir que eu sou com-ple-ta-men-te brasileira! Sou muuuito clichê, mais que muita gente por aí. Assisto futebol com o meu pai, faço caipirinhas sempre e qualquer batuque já me faz rebolar, a qualquer hora em qualquer lugar! Eu sou muito clichê! E fiquei orgulhosinha de descobrir isso aí fora. Estou até deixando o meu cabelo crescer de novo, e às vezes uso uma flor no cabelo.... Gosto dessa coisa latina que eu descobri em mim.

Acho que se pode ser uma latina/arquiteta/sambista né?