domingo, 25 de janeiro de 2009

O ninho era quentinho, mas eu tinha que voar...


Confesso que às vezes olho ao meu redor e sinto falta do meu ninho. Mas eu tinha que voar...

Aquele ninho era cômodo e quentinho, mas estava ficando pequeno pra mim. Eu, que sempre fui uma andorinha muito saidinha, queria conhecer outras paragens.

Desde que saí, desde que voei pra longe, me dei conta de muitas coisas. De que um bom ninho não se constrói depressa, por exemplo. E que não se constrói só. Sozinho, talvez. Mas só, nunca. Necessitamos sempre de um empurrãozinho, seja qual for... E é um processo longo. Antes precisamos treinar nossas habilidades arquitetônicas.

Eu me lembro do meu primeiro vôo mais ousado... encontrei um pássaro lindo e raro, d’uma espécie em extinção. Construímos nosso ninho. Era bonito e aconchegante, mas, depois de certo tempo, começou a chover, chover... e o ninho não resistiu ao temporal. Faltava algo, mas nunca descobri o quê.

Nesse momento, assustada, voltei pro meu ninho quentinho. Lá, recebi amor e muitas minhocas. Muito combustível acumulei. Até que chegou o dia do grande vôo. E, dessa vez, voei sozinha.

Cheguei bastante longe. Numa terra onde as árvores e as minhocas são diferentes. Onde o sol brilha mais fraco e o vento sopra em outra direção. Mas não foi difícil adaptar-me a esses novos ares, acho que as melodias que trouxe gravadas na memória me ajudaram.

Agora, pouco a pouco e sem pressa, começo a construir outro ninho. Felizmente sei que, sempre que precisar, aquele ninho quentinho seguirá lá, me esperando de braços abertos para mais um verão.

Mas sei também que minhas asas já estão bem grandes e que posso voar longe e alto. E que posso juntar galhinhos de várias espécies e tamanhos e tons de verdes e marrons. E que posso ir de galho em galho, construindo pequenos ninhos... até o dia em que encontre o galho perfeito pra mim. Então, aí sim, construirei um ninho bem bacana, com raminhos variados, num lugar bem alto, pertinho do céu, do sol, das estrelas e da lua.

E, de noite, farei saraus e tertúlias... e, de dia, silvarei bem alto e contarei, com uma suave melodia, a minha história. Tão simples e tão minha... para quem queira ouvir.

Um comentário:

Ju disse...

Me lembrou o Arnaldo Antunes:

"Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar

Mas tinha que respirar"

Beijos, amada!

PS: sempre vejo suas conversas no skype quando voce ja ta offline, mas um dia rola!